"Há momentos em que o desinteressante e o sem nenhuma importância servem como refúgio. E você pode se consolar por estar no que a poeta Lara de Lemos, que teve seus dias de escuridão, chamava de 'o lado claro do mundo'."

Verríssimo

11 Outubro 2009

re-publicando 3 de janeiro

Eu peço licença ao calendário para postar um dos textos que eu fiz e que mais gosto, ele esta publicado no meu antigo blog [desativado] Red-Ties . Tudo narrado aconteceu realmente, espero que gostem :D.

Os acontecimentos da noite passada não me agradaram nem um pouco, já que lidar com sentimentos dos outros pra mim e pior que lidar com os meus sentimentos, porque sofrimento comigo não tem vez, mas os de outras pessoas me faz sofrer mais do que deveria. Depois do almoço sai no intuito de comprar uma revista um livro, alguma coisa que me distraia, já que o livro que eu estava lendo já tinha sido devorado facilmente depois daquilo. Sai com um peso na alma, um vazio no coração, escutando no Mp4 músicas que não eram apropriadas, até que mudei para o álbum do filme Crepúsculo, que pode se dizer, me acalmou, já que Paramore me fez e faz sentir a garota mais poderosa do mundo. A vitrine das poucas lojas abertas num sábado a tarde não me chamaram atenção, era um absurdo não achar nada de interessante na banca, e mais absurdo ainda não achar nenhuma livraria aberta, tudo que eu desejava naquela hora era um livro pra esquecer um pouco meus problemas, ou melhor meus pensamentos completamente sem noção. Não achei nada, nada pra me distrair, me senti numa situação caótica de desespero, fui pra casa frustrada, até que senti uma gota de chuva no meu nariz, aquilo fez cocegas, tava tão geladinha, eu dei gargalhadas sozinha na rua, os policiais me olharam com cara de 'levem para o sanatório' e eu não estava nem ai, minha vontade era de dançar com aquelas gotinhas, ser uma delas, e toda minha frustração foi embora, meu coração ficou leve, e a chuva parou. Pra mim não importava mais nada, tudo que eu precisava era dela, a minha amiga chuva! Enquanto chovia eu nem percebi mas estava praticamente em casa já, mas não tinha vontade de entrar, então fui pra igreja em frente, percebi que estava tendo um velório, mas passei batido já que essa era uma situação desagradável tanto para mim quanto para as pessoas que estavam lá dentro. Lembrei de quando era criança, e passava por aquele caminho nas férias com a minha avó pra ir na padaria do outro lado, quando era criança existia perto do cemitério um relógio do sol, resolvi ir lá pra ver se ele ainda existia, e ele existia. Me sentei em cima dele, a vista era maravilhosa e logo embaixo tinham tantas margaridinhas, lá naquele lugar eu tive a impressão de ser a pessoa mais feliz do mundo, eu chorei, eu ri, eu pensei, lá me trouxe paz e foi tão legal estar ali, de vez enquanto via pessoas chegando para o velório, meu coração apertava só de pensar em tudo que estava acontecendo com aquelas pessoas, ia faltar pra sempre uma pessoa na vida delas, e percebi que meus problemas eram pequenos demais diante daquilo. .Meia hora ali em cima daquele relógio, me fez pensar em coisas que levariam anos pra eu entender. Subitamente dei um pulo lá de cima, uma louca vontade de tomar um sorvete ou um picolé. Fui no mercado e comprei chocolate, picolé e um livro que me chamou atenção. Fui quase que correndo pro lugar onde tinha me porpocionado sensações tão grandiosas, mas chegando lá perto vi um velhinho, ele estava chorando, sentado no relógio, pensei em ir la e sentar perto dele, mas achei melhor não, talvez ele precisasse de um pouco daquilo que eu encontrei lá, talvez lá fosse um lugar mágico. .
(Barbacena - 3 de Janeiro de 2009)